Jornal Mexa-se

20 de junho 2022 às 08:00

Atividade física auxilia na prevenção e no controle da hipertensão em idosos

Esportes

20 de junho 2022

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Atividade física auxilia na prevenção e no controle da hipertensão em idosos

A hipertensão arterial é uma das enfermidades mais comuns na população idosa. Conhecida popularmente como pressão alta, essa condição atinge cerca de 60% dos brasileiros acima dos 60 anos, segundo o inquérito Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis (Vigitel). Pacientes são considerados hipertensos quando a pressão permanece maior ou igual a 14 por 9 constantemente.


Em todo o planeta, a pressão alta causa a morte de mais de 9 milhões de pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de ser uma doença que não tem cura, a hipertensão pode ser evitada com hábitos saudáveis.


"O sedentarismo é um dos fatores que contribuem para a hipertensão e outras enfermidades, como problemas cardíacos, câncer e diabetes tipo 2. Para viver com mais qualidade, é essencial que o idoso seja ativo", alerta a coordenadora de atividades físicas na Cora Residencial Senior, Katia Nogueira.


O exercício físico é um aliado não só na prevenção, mas também no controle e no tratamento, sendo capaz de reduzir a pressão arterial e demais fatores de risco associados a essa enfermidade.


Atividade física é remédio


Toda a atividade física regular é boa para o coração, o corpo e a mente, ajudando na redução dos sintomas de ansiedade e depressão, melhorando a saúde cognitiva e o sono, além de ajudar a prevenir diversas doenças.


A OMS recomenda a prática de pelo menos 150 minutos de atividades semanais. "Elas podem ser variadas e acumulativas, ou seja, as pessoas têm de segunda a domingo para acumular 2h30 de exercícios físicos", complementa Katia. Além de prevenir ou retardar a progressão de doenças crônicas, como a hipertensão, o projeto tem como objetivo aprimorar os níveis de aptidão física e autonomia, trabalhando flexibilidade, força, coordenação e equilíbrio, bem como prevenir limitações e incapacidades funcionais (individuais e ambientais). 


O que praticar


Para idosos que não possuem a rotina de praticar exercícios, a recomendação da coordenadora de atividades físicas na Cora Residencial Senior é investir em atividades de baixo impacto, ou seja, que não sobrecarreguem as articulações, ligamentos ou outras estruturas do corpo. O ideal é que a intensidade seja de leve a, no máximo, moderada. "Além disso, ter um acompanhamento médico inicial é importante, assim como procurar a orientação de um profissional de educação física especialista para o público 60+", complementa Katia.


Entre as principais atividades voltadas ao público sênior, indicadas pela especialista para manter o corpo em movimento com o menor risco, estão: 


Caminhada: ajuda na dilatação dos vasos sanguíneos, reduzindo a pressão arterial. Além de favorecer a melhora do condicionamento físico, também é o melhor exercício para ativar o cérebro, na visão da especialista. "Ela trabalha a percepção sensorial e o equilíbrio, ativa e oxigena o sistema cardiovascular, revigora e renova a substância branca do cérebro, melhorando a capacidade de lembrar e pensar à medida que envelhecemos".


Alongamentos: um estudo da Universidade de Saskatchewan, do Canadá, comprova que o alongamento deve fazer parte do tratamento de quem luta contra a hipertensão. Ao se alongar, o indivíduo estica os vasos sanguíneos que alimentam o músculo. Isso ajuda a diminuir a rigidez das artérias, reduz a resistência do fluxo sanguíneo, resultando na melhora da circulação do sangue no organismo."Quando nos alongamos, melhoramos a flexibilidade, diminuindo o risco de lesões e aliviando a tensão muscular, muitas vezes responsável pelas dores n as costas. A prática ainda proporciona maior equilíbrio corporal e mobilidade das articulações, além de relaxamento do corpo e da mente", detalha Kátia.


Agachamento: "é um exercício completo para fortalecer o corpo. Ainda que haja poucas repetições, contribui com o fortalecimento de membros inferiores e com o ganho de massa muscular", esclarece a profissional de educação física.


Dança: melhora a frequência cardíaca e a capacidade respiratória, além de estimular a circulação do sangue, ajudar na socialização e no bem-estar psicológico.


Nunca é tarde para começar 


Katia considera que o primeiro passo para sair do sedentarismo é a organização, considerando que é preciso definir um horário que seja viável para a atividade. Tornar o momento animado, incluindo uma música que o idoso goste, também é uma estratégia de motivação."Inicie devagar e seja persistente. De 2 a 3 vezes por semana, é uma frequência mínima recomendada e o tempo de duração deve ser ajustado conforme o limite de cada idoso", indica.


De acordo com a especialista, é preciso ter em mente que o melhor exercício é aquele que ele consegue fazer. "É importante lembrar que qualquer quantidade de exercício físico é melhor do que nenhuma", finaliza Katia.